Os Yamas são os cinco primeiros princípios éticos apresentados por Patañjali no caminho do Yoga. Eles fazem parte dos oito membros descritos nos Yoga Sutras e representam orientações para a maneira como nos relacionamos com outras pessoas, com todos os seres e com o mundo ao nosso redor. Antes de olhar para dentro, o Yoga nos convida a observar a forma como nossas atitudes, palavras, pensamentos e escolhas interferem naquilo que nos cerca.
A palavra Yama deriva do sânscrito e está relacionada a disciplina, contenção ou princípios de conduta. Os Yamas não devem ser compreendidos como regras impostas de fora para dentro, mas como fundamentos éticos que ajudam o praticante a desenvolver consciência sobre suas próprias ações. O Yoga não propõe simplesmente saber o que é certo ou errado, mas perceber as consequências de nossas escolhas e desenvolver uma maneira mais consciente de viver.
Os cinco Yamas apresentados por Patañjali são:
Ahimsa – Não violência
Não machucar, ferir ou prejudicar os outros, os animais e a si mesmo, seja por meio de ações, pensamentos ou palavras.
Satya – A verdade
Ser verdadeiro nas palavras, pensamentos e ações, com os outros e consigo mesmo. Não fazer uso da mentira, do equívoco ou da distorção da realidade.
Asteya – Não roubar
Não roubar nem desejar aquilo que pertence aos outros, sejam objetos, ideias, créditos, méritos, tempo ou energia.
Brahmacharya – Moderação
Canalizar a própria energia para relações e experiências saudáveis e benéficas, utilizando de maneira consciente e equilibrada a energia física, mental, emocional e sexual.
Aparigraha – Desapego
Saber abrir mão do que é desnecessário e libertar-se do excesso de posse, ciúme, acumulação e apego, reconhecendo que tudo está em constante transformação.
Os cinco Yamas estão profundamente conectados. Não são princípios independentes, mas diferentes aspectos de uma mesma busca por uma vida mais consciente. Ahimsa nos ensina a não ferir; Satya, a viver na verdade; Asteya, a respeitar aquilo que pertence ao outro; Brahmacharya, a direcionar nossa energia com consciência; e Aparigraha, a desenvolver uma relação mais livre com aquilo que possuímos e desejamos.
Essa sequência também apresenta um aprofundamento da relação do indivíduo com o mundo. Quando praticamos Ahimsa, reduzimos a violência. Ao praticarmos Satya, buscamos coerência e verdade. Com Asteya, aprendemos a respeitar os limites e os direitos do outro. Brahmacharya nos ensina a cuidar da nossa própria energia e Aparigraha nos conduz à liberdade diante do apego. Aos poucos, aquilo que inicialmente parece uma disciplina passa a se tornar uma maneira mais natural de estar na vida.
Os Yamas não devem ser utilizados para julgar a nós mesmos ou aos outros. O praticante inevitavelmente perceberá momentos em que age de maneira contrária aos princípios que busca cultivar. Isso também faz parte do processo. O importante é desenvolver consciência, reconhecer os próprios padrões e utilizar essa percepção para transformar gradualmente a maneira de agir.
Na prática do Yoga, os Yamas também estão presentes sobre o tapete. Ahimsa aparece quando respeitamos os limites do corpo e não transformamos a postura em uma competição. Satya surge quando reconhecemos honestamente nossas possibilidades naquele momento. Asteya está presente quando deixamos de comparar nossa prática com a de outra pessoa. Brahmacharya aparece quando utilizamos nossa energia de maneira equilibrada. Aparigraha manifesta-se quando abandonamos a necessidade de alcançar determinada postura ou resultado para validar nossa prática.
Dessa forma, os Yamas mostram que Yoga não é apenas aquilo que fazemos durante uma aula. A prática começa a se revelar na maneira como tratamos nosso corpo, como nos comunicamos, como lidamos com nossos desejos, como utilizamos nossa energia, como respeitamos o outro e como reagimos diante daquilo que não podemos controlar.
Os Yamas são, portanto, a primeira base ética do caminho do Yoga. Eles nos convidam a transformar a relação com o mundo antes de aprofundarmos a relação conosco. A partir deles, Patañjali apresenta os Niyamas, princípios de disciplina pessoal que conduzem o praticante para uma observação ainda mais profunda de si mesmo.
Assim, o caminho continua: depois de aprender a viver de maneira mais consciente em relação ao mundo, somos convidados a olhar para dentro e iniciar o processo de transformação pessoal por meio dos cinco Niyamas: Saucha, Santosha, Tapas, Svadhyaya e Ishvara Pranidhana.