Os Niyamas são os outros cinco preceitos éticos apresentados por Patañjali no caminho do Yoga. Enquanto os Yamas orientam a maneira como nos relacionamos com o mundo e com os outros seres, os Niyamas são disciplinas internas, relacionadas à observância de si mesmo e ao desenvolvimento pessoal.

A palavra Niyama deriva do sânscrito e está relacionada a disciplina, observância, prática e cultivo. São princípios que convidam o praticante a voltar o olhar para dentro e observar seus hábitos, pensamentos, emoções, escolhas e atitudes diante da própria vida.

Os cinco Niyamas apresentados por Patañjali são:

Saucha – Purificação
Limpar o corpo, desde a higiene pessoal até os cuidados com a alimentação, e purificar a mente de sentimentos, pensamentos e emoções negativos ou perturbadores.

Santosha – Contentamento
Estar contente com o momento presente, independentemente das circunstâncias, desenvolvendo satisfação, serenidade e equilíbrio mental.

Tapas – Autodisciplina
Esforçar-se, acreditar e desenvolver força de vontade para alcançar um objetivo, mantendo a disciplina e o compromisso mesmo diante das dificuldades e privações necessárias ao processo.

Svadhyaya – Estudo de si mesmo
Observar a si mesmo, sair da ignorância sobre a própria natureza e buscar o desenvolvimento pessoal e espiritual. É investigar pensamentos, comportamentos e padrões, investindo no autoconhecimento.

Ishvara Pranidhana – Entrega
Confiar que existe algo Supremo que nos orienta, entregar nossas ações ao Divino e desenvolver aceitação diante da Consciência Cósmica e do fluxo da vida.

Os cinco Niyamas estão profundamente relacionados entre si. Saucha cria condições para a clareza; Santosha ensina a encontrar contentamento no presente; Tapas oferece disciplina para sustentar o caminho; Svadhyaya conduz ao conhecimento de si mesmo; e Ishvara Pranidhana ensina a confiar, entregar e reconhecer que nem tudo está sob nosso controle.

Assim como acontece com os Yamas, os Niyamas não devem ser compreendidos apenas como regras a serem cumpridas. São princípios que precisam ser observados e experimentados na vida cotidiana. Seu conhecimento intelectual não é suficiente. É por meio da prática e da observação constante que essas atitudes podem ser gradualmente incorporadas à maneira como vivemos.

Os Niyamas também estão presentes na prática sobre o tapete. Saucha aparece quando cuidamos do corpo e criamos um ambiente adequado para a prática. Santosha surge quando aceitamos o corpo e as possibilidades daquele momento sem comparações. Tapas está presente na constância e na disciplina necessárias para praticar. Svadhyaya acontece quando observamos nossas reações, pensamentos e limites durante cada postura. Ishvara Pranidhana manifesta-se quando fazemos nossa parte sem nos prendermos ao resultado, aceitando o processo e entregando aquilo que não podemos controlar.

Dessa forma, os Niyamas mostram que a transformação proporcionada pelo Yoga não acontece apenas por meio das posturas. Ela também acontece na maneira como cuidamos de nós mesmos, como enfrentamos as dificuldades, como lidamos com nossas emoções, como compreendemos nossos padrões e como nos relacionamos com aquilo que está além da nossa vontade individual.

Os Yamas e Niyamas formam juntos a base ética do caminho de Patañjali. Os Yamas orientam nossa relação com o mundo; os Niyamas aprofundam nossa relação conosco. Primeiro aprendemos a observar nossas ações e sua influência sobre aquilo que nos cerca. Depois, voltamos esse mesmo olhar para dentro e começamos a transformar nossa própria maneira de existir.

A partir dessa base ética e desse processo de disciplina pessoal, o caminho do Yoga segue para os Asanas, as posturas psicofísicas. O corpo passa a ser utilizado como instrumento de consciência, estabilidade e preparação para as etapas seguintes: Pranayama, Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi.